Festa do Duplo cinco

No próximo domingo (8/6), será o quinto dia do quinto mês do calendário lunar chinês, conhecido como Duplo Cinco, onde se prestará mais uma vez as mais distintas homenagens a um grande estadista, mandarim, patriota e poeta chinês Qu Yuan que viveu entre 340-278 a.C., período conhecido como Estados Combatentes (457-221 a.C.)detalhebarcodragao.

Esse período foi marcado pela disputa da hegemonia da planície central chinesa – Zhongyuan – região fértil entre os rios Amarelos e Changjiang (Yangtze), por sete reinos, a saber: Qi, Chu, Yan, Han, Zhao, Wei, Qin. No final, o reino de Qin unificou a China em 221 a.C.
Qu Yuan era ministro no reino de Chu e era o terceiro homem de maior influência do estado. Defendia uma aliança estratégia com o reino de Qi, para resistir à expansão do reino de Qin. Por outro lado, um ministro do estado de Qin que sempre procurava meios para destruir quaisquer alianças que pudessem criar obstáculos à expansão do reino de Qin. Tentou demover Qu Yuan de seus conselhos ao rei através de muitos regalos; entretanto Qu Yuan era incorruptível, enquanto os outros ministros do reino de Chu eram mais sensíveis e os quais fizeram oposição a sua estratégia perante o rei. Qu Yuan tentou em vão convencer o seu monarca, chegando, até, a compor longos poemas em que exprimia o seu sentimento e o desespero que sentia, face aos os rumores que indicava que o seu rei iria rumar contrariamente a sua sugestão.
Paralelamente, circulava o boato que Qu Yuan divulgou segredos de estado, a qual levou-lhe a ser degredado do estado em 313 a.C.
No ano seguinte, as relações entre Qin e Chu pioraram, de tal forma, que, Qu Yuan foi chamado de volta à corte e foi nomeado para um alto cargo oficial, mas as intrigas contra ele, continuaram ainda a persistir.
Depois de algumas tentativas fracassadas de ataque contra Chu no ano 299 a.C., Qin resolveu convidar o rei de Chu a viajar ao seu estado para travarem negociações. Mesmo Qu Yuan sendo contrário a essa viagem, por recear de se tratar duma armadilha preparada pelo ardiloso rei Qin; o rei ignorou por completo o seu conselho, inclusive até o censurou publicamente, reclamando de sua interferência e, pela segunda vez, Qu Yuan foi mandado para o exílio no norte da província de Hunan.
Enquanto o rei de Chu seguia em cortejo no caminho do reino de Qin, foram apanhados em uma emboscada, a qual foi tomado como prisioneiro do reino de Qin. Morreu após três anos devido aos maus tratados recebidos na cela.
Qu Yuan, enquanto desterrado, não tinha o que fazer a não ser escrever poemas, onde satirizava a corrupção, o egoísmo e o descaso do povo, especialmente pela classe mais abastada. Escreveu um poeta mais longo conhecido como Lisao, em que dava conhecer os seus ideais políticos, que veio a influenciar gerações e gerações de literatas e políticos até o século atual.
Em 280 a.C., o Estado de Qin lançou um ataque final contra o Estado de Chu, e em 278 a.C., conquistava a capital.
Magoado com a notícia de falecimento do seu rei e impotente para salvar o seu reino, Qu Yuan num ato de desespero, se amarra a uma pedra e se atira a um rio situado a noroeste de Hunan, no quinto dia da quinta lua, morrendo momentos depois afogado.
Ao chegar a notícia do trágico fim do estadista, é organizado uma flotilha de barcos para o resgate de seu cadáver, nas águas revoltosas do rio. Para ganhar tempo e  evitar que os seres aquáticos se alimentassem de Qu Yuan, a população ribeirinha enrolou em folhas de bananeiras e bambus arroz glutinado e jogou ao rio.
É nisso que se baseia a tradição das regatas de barco-dragão que ocorrem popularmente no sul da China e onde nesse dia se come o bolinho de arroz recheado com carnes, verduras ou gergelim, conhecido como Zongzi, à memória desse poeta e estadista, símbolo do patriotismo.
 
Em Beijing não ocorre regatas de barco-dragão, porque não existem mais rios para tais competições, mas tenho lembranças marcantes de Taiwan. Agora em Macau pude reviver essas boas lembranças. No fim de semana passado ocorreu o início e as finais da regata será nesse fim de semana. Uma peculiaridade desse tipo de torneio é que são constituído por equipes amadoras das universidades, bairros, associações de classe ou empresariais, particularmente dos cassinos, onde também tem as maiores torcidas com suas berrantes bandeiras. Há dois meses que avistamos os treinos e agora às margens do laigo Sai Van foi erguido arquibancadas muito confortáveis, onde nós nos misturamos ao povo e torcemos. É muito excitante assisitir a essas disputas pela alegria contagiante, nos tornamos parte integrante dum festejo milenar.

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Sobre Marcia Schmaltz 修安琪

Tradutora e intérprete de chinês-português, é professora do Mestrado em Estudos da Tradução da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Macau. 汉葡翻译兼澳门大学葡汉翻译硕士学位任教。 Além de traduções comerciais, científicas e jurídicas, também incursionou no universo da tradução literária: com Janete Schmaltz (1999, 2000) Histórias da mitologia chinesa. Xerox e Da Casa. Yu, Hua (2007) Viver 《活着》. S'ao Paulo: Companhia das Letras. com Sérgio Capparelli (2007). 50 Fábulas da China Fabulosa. Porto Alegre: L&PM. com Sérgio Capparelli (2010). Contos sobrenaturais chineses. Porto Alegre: L&PM. Lu, Xun (no prelo) Contos completos de Lu Xun. 《鲁迅小说全集》. Porto Alegre: L&PM.
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Uma resposta para Festa do Duplo cinco

  1. 杰客 disse:

    哈哈~老师还是有很深的中国情节吗~有机会回来哦呵呵

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